Módulo 6- A Cultura do Palco

Módulo 6- A Cultura do Palco

Palácio De Versalhes, Paris, Versailles, França
Módulo 6- A Cultura do Palco
  1. Muitos palcos, um espectáculo
    1. De 1618 a 1715: do início da Guerra dos Trinta Anos ao final do reinado de Luís XIV
    2. A Europa da corte: a corte nos palácios das cidades; a corte junto às cidades – Versalhes
    3. O Rei -Sol. Luís XIV (1638- 1643 – 1715) (Biografia)
    4. O palco. Os palcos: a corte, a igreja, a academia (local)
    5. O Tratado de Utreque (1713)
    6. A mística e os cerimoniais
    7. A revolução científica: a razão e a ciência
    8. La Cérémonie Turque, em Le Bourgeois Gentilhomme, de Molière

2 Arte e retórica: o Barroco

  1. O sentido do Barroco: Razão e emoção; gravidade e teatralidade; o conceito de arte total; as origens do movimento – a Roma triumphans
  2. A arquitectura barroca
  3. A escultura barroca; sob o signo do pathos
  4. A pintura barroca: a luz como personagem central
  5. O Barroco classicista francês
  6. Da Europa para o mundo: Barroco ou barrocos?
  7. O Real Edifício de Mafra (1717 – 1730/1737)
  1. Muitos palcos e um espectáculo

O período histórico deste módulo ocupa quase todo o século XVII, acabando em 1715 com a morte do rei francês Luís XIV. O século XVII ficou marcado pelo apogeu do Antigo Regime, e foi, na Europa, um século de crises climáticas, económicas e políticas que geraram fomes, guerras e pestes, provocando ciclicamente grande mortandade (crises de subsistência). Esta situação ajudou à permanência do senhoralismo e da sociedade de ordens (sociedade dividida juridicamente em estratos, segundo o nascimento ou função), apesar da ascensão da burguesia das finanças e do comércio ultramarino que foram os únicos sectores económicos que se mantiveram em alta nesta época de expansão do capitalismo e de mercantilismo (política económica, lançada por Colbert).

A Guerra dos trinta anos (1618 – 1648) foi iniciada por dissidências religiosas entre Protestantes e Católicos, mas acabou por envolver quase todos os países europeus, motivada, igualmente, pelas rivalidades políticas existentes.

O século XVII é por excelência o século da centralização régia, temos a implantação do Absolutismo régio na maior parte dos reinos da Europa central, meridional e de leste.

Estes Estados absolutistas foram, na sua grande maioria, estados católicos, onde a Contra-reforma lançada pelo Concílio de Trento se havia instalado, sob a superior direcção do Papa. A política e a Religião formaram duas supra-estruturas que governavam as sociedades com métodos muito semelhantes: um forte poder centralizado, ao qual todos teriam que se submeter sem discussão.

O Tratado de Utreque (1713)

O Tratado de Utreque é o nome dados ao conjunto de documentos que regulamentaram o cessar-fogo e a paz entre todos os países intervenientes na Guerra da Sucessão de Espanha (1701 -1714). Estes documentos foram assinados na cidade holandesa de Utreque e daí o seu nome.

A Guerra da Sucessão de Espanha opôs a França, e alguns países amigos, aos países da Grande Aliança (Inglaterra, Holanda, Prússia, Portugal e Saboia). As cláusulas do Tratado de Utreque redefiniram o xadrez política da Europa, terminando a supremacia da França e abrindo caminho para novas potências como a Holanda e a Inglaterra.

A mística e os cerimoniais

Foi estabelecido durante o processo da Contrarreforma que a Igreja Católica iria estimular os fiéis na espiritualidade e no misticismo através de 2 processos:

1 – a meditação e a oração individual com base na leitura da Bíblia e das Sagradas Escrituras, acompanhadas da prática da benemerência e de sacrifícios.

2 – a participação nos cerimoniais organizados pela igreja – procissões, peregrinações, devoções, promessas e missas, cuja assistência passou a ser obrigatória.

A Igreja empenhou-se em cativas os fiéis, combateu as velhas práticas pagãs e populares, converteu outras e orientou os fiéis para a devoção à Virgem Maria, aos santos mártires e às relíquias. Todos os cerimoniais obedeciam a rituais específicos que prendiam o fiel pelo espectáculo que proporcionavam e o envolviam com cantos e orações em voz alta.

Nesta época marcada pela Inquisição e Índex, a obrigatoriedade de participar era cumprida mais por medo do que por livre vontade.

Saber Mais…

O Absolutismo

Luís XIV

As cortes de Versalhes

Guerra da Sucessão

O Tratado de Utreque

Os Barrocos

Questões de Revisão

Questão nº1

Meta, Royal, Cerca, Versailles, Paris, Luís Xiv
Palácio de Versalhes – França
  1. O que entende por corte-régia ou corte-Estado?
  2. Onde estavam instaladas as cortes régias?
  3. Que razões explicam a construção do grandioso Palácio de Versalhes por Luís XIV?
  4. Qual a importância do Palácio de Versalhes e do estilo de vida que nele se implantou na Europa da época?

Questão nº2

2.1. Que motivos explicam as constantes revoltas populares do século XVII?

2.2. Identifique a doutrina política vigente na França de Luís XIV.

2.3. Diga o nome do regime económico implantado por Colbert no tempo de Luís XIV.

2.4. Defina Contrareforma

2.5. Explique o motivo que originou a Guerra da Sucessão de Espanha e as consequências que teve para França.

2.6. Indique o nome do Tratado que regulou a paz entre os intervenientes desta guerra.

Exercícios saídos em Exame Nacional

Exame 2017 1ª Fase

A resposta deve integrar os tópicos seguintes, ou outros igualmente relevantes:
• edificação de uma «cidade» para residência do rei e da corte, no contexto da monarquia absoluta de
Luís XIV;
• construção do Palácio de Versalhes como símbolo do poder autocrático e absoluto;
• concepção da Corte-Estado, no reinado de Luís XIV, como instrumento político do monarca;
• organização da vida na corte em torno da pessoa do monarca;
• criação do Palácio de Versalhes como «obra de arte total», em que todas as artes visuais e do espectáculo
concorrem para a glorificação do rei;
• afirmação do Palácio de Versalhes como modelo para as cortes absolutistas europeias

Exame Nacional 2014 1ª Fase

Tópicos de resposta:
Contexto político, económico e cultural
• reinado de D. João V, como época áurea do absolutismo em Portugal;
• Real Edifício de Mafra como símbolo de afirmação do poder régio;
• rei absoluto, como primeiro impulsionador e definidor do propósito e da dimensão do edifício;
• período de riqueza do Estado português devido à exploração do ouro do Brasil;
• política de mecenato às artes (pintura, escultura, talha, ourivesaria, azulejaria), à música e às letras
(Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, Real Academia de História);
• política de grandes construções arquitetónicas (Aqueduto das Águas Livres, Igreja Patriarcal de Lisboa);
• fundação de academias para a formação de uma nova elite intelectual, artística e cultural;
• associação simbólica do palácio-bloco e do templo-basílica, como manifestação da união estreita entre
a Monarquia e a Igreja Católica;
• edificação da obra grandiosa do regime absolutista português, seguindo os modelos espanhol (Escorial)
e francês (Versalhes).
Características técnicas e formais do edifício
• obra de arte total, reunindo basílica, palácio e convento;
• mármores policromados como material dominante;
• basílica no centro do edifício;
• basílica com planta em cruz latina;
• fachada da basílica decorada com colunas, nichos, janelas e frontão triangular;
• torres sineiras alternando formas côncavas e convexas nos andares superiores;
• cúpula de grandes dimensões a coroar o cruzeiro;
• balaustrada no topo do palácio;
• torreões com cúpulas bolbosas;
• influências do barroco italiano, introduzidas pelo gosto do rei e do arquiteto Ludovice.

Exame Nacional 2012 2ª Fase

2.1 Contra-reforma

2.2

Na resposta, devem ser referidas, evidenciando muito bom domínio do tema** e boa
interpretação do documento apresentado, quatro das características seguintes, ou
outras consideradas relevantes:
• preferência por grupos escultóricos;
• procura do efeito cenográfico na composição;
• procura dos efeitos de contraste de textura e de cor, como se observa na figura;
• valorização da figura do Papa e dos Santos;
• dinamismo na composição e sugestão de movimento;
• utilização dos panejamentos para dar volume e agitação à composição.

Exame Nacional 2012 1ª Fase

Na resposta, são tomados em consideração aspectos de ambos os tópicos de
orientação. Devem ser abordados, evidenciando muito bom domínio do tema** e boa
interpretação dos documentos apresentados, sete ou oito dos aspectos seguintes,
ou outros considerados relevantes.
– A construção do Palácio de Versalhes ao serviço do poder régio:
• residência projectada para um soberano-deus (Rei-Sol);
• utilização da arte com o propósito de glorificação e de propaganda régia;
• magnificência ímpar do palácio, condizente com a majestade do reinado de
Luís XIV;
• conjugação de elementos do barroco (decoração interior, jardins desenhados,
fontes, espelhos de água) com características do classicismo (simetria,
horizontalidade, harmonia);
• controlo artístico, patrocínio e encomenda de artes plásticas e decorativas
através de Academias reais.
– O Palácio de Versalhes, paradigma da corte-Estado:
• a corte de Versalhes como o centro da governação de onde irradiava a
autoridade régia;
• a corte como palco da encenação e da ostentação do poder: representações
teatrais, concertos, bailes, festas faustosas, caçadas, torneios;
• a corte como uma estrutura de dominação social: submissão/controlo da
sociedade de corte;
• a corte como símbolo da hierarquização do prestígio social;
• a função reguladora da etiqueta no quadro das dependências sociais da
aristocracia;
• importância do significado do cerimonial e do ritual régios;
• divinização da pessoa régia (culto e adoração);
• modelo para as cortes europeias.

Exame Nacional 2013 época especial

1.1 O período referido é o maneirismo

1.2

Na resposta, são referidas quatro das características seguintes, ou outras consideradas relevantes:
• contraste entre saliências e reentrâncias na fachada da igreja;
• divisão em dois pisos;
• utilização de elementos clássicos, como o frontão, numa composição que altera o cânone clássico;
• uso de pilastras embebidas nas paredes;
• presença de volutas, ou aletas, nas paredes laterais do piso superior.

Exame 2008 2ª Fase

1.

Na resposta, é indicado:
• século XVIII;
• D. João V;
• Ludovice ou João Francisco Ludwig

2.

O Real Edifício de Mafra (século XVIII), símbolo da afirmação do poder centralizado de D. João V, envolve, além do
palácio, a basílica e o convento. É possível identificar, nos elementos arquitectónicos, as seguintes influências:
• os torreões cobertos por cúpulas bolbosas, que mostram traços da influência barroca alemã e austríaca;
• o frontão triangular na fachada da basílica, de influência clássica;
• a grande cúpula (zimbório) da basílica, que segue o modelo renascentista da Basílica de S. Pedro;
• o edifício de três andares, segundo a matriz do palácio barroco;
• os janelões com a presença de elementos das ordens clássicas – pilastras e frontões.

Exame 2010 – 1ª Fase

2.1

Na resposta, devem ser referidos quatro dos aspectos seguintes, ou outros considerados relevantes:
• contributo do azulejo para a riqueza e a exuberância da decoração barroca e rococó;
• predominância do azul e do branco, por influência holandesa;
• aplicação do azulejo no revestimento de grandes paredes, quer no exterior (jardins palacianos), quer no interior dos
edifícios religiosos e civis (altares, salas, escadarias);
• utilização do azulejo na forma narrativa (histórias ou cenas contadas em perspectiva);
• temática religiosa (cenas bíblicas, vidas de Cristo, da Virgem e dos Santos) e profana (cenas mitológicas, do
quotidiano, da vida da corte).

2.2

Talha

Exame 2017 2ª Fase

2.1

à exploração do ouro do Brasil

2.2.

O cruzeiro da basílica do Real Edifico de Mafra é coberto por uma cúpula.

Exame 2016 2ª Fase

• preferência pela monumentalidade e pelos grupos escultóricos;
• valorização dos efeitos cenográficos – uso da iluminação, ou enquadramento das figuras, ou captação
do instante;
• intenso dramatismo da ação;
• composições dinâmicas e exuberância das formas;
• sentido de movimento, conseguido através das posições dinâmicas das figuras sobre as nuvens e da
delicadeza e agitação dos pregueados do manto da santa;
• utilização do mármore, do bronze dourado e da madeira policromada;
• integração da escultura na arquitectura;
• representação de sentimentos e emoções – Pathos – para despertar o fervor religioso nos crentes;
• preferência pela representação das experiências místicas dos santos que marcam a religiosidade do
período da Contrarreforma;
• idealização das figuras representadas;
• interpretação do tema a partir de uma narrativa de Santa Teresa de Ávila

Publicado por Apoio Escolar online Kids.com

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