Módulo 8 – A Cultura da Gare

Módulo 8 – A Cultura da Gare

Eifell Torre, Paris, França, Marco, Famosos, Histórico
Módulo 8 – A Cultura da Gare
  1. A velocidade impõe-se
    1. De 1815 a 1905: da Batalha de Waterloo à Exposição dos Fauves
    2. A Europa das linhas férreas
    3. O engenheiro Gustave Eiffel
    4. A Gare
    5. A 1ª Exposição Universal (Londres, 1851)
    6. O indivíduo e a Natureza
    7. Nações e utopias, as utopias e as críticas sociais e políticas

2. As artes do século XIX

  1. O Romantismo, o passado enquanto refúgio
  2. O Romantismo em Portugal. O Palácio da Pena, Sintra (1838-1868/1885)
  3. O Realismo e o Impressionismo: um novo olhar sobre o real
  4. Rodin
  5. A Pintura e a Escultura em Portugal, na 2ª metade do século XIX
  6. Italian Family on Ferry Boat Leaving Ellis Island (1905), de Lewis Hine
  7. A Arte ao redor de 1900: a arquitetura do Ferro e do Vidro e a Arte Nova
  1. A velocidade impõe-se
    1. De 1815 a 1905: da Batalha de Waterloo à exposição dos Fauves
    2. A Europa das linhas férreas
    3. O engenheiro Gustave Eiffel (1832 -1923)
    4. A Gare
    5. A 1ª Exposição Universal (Londres, 1851)

O século XIX foi marcado pela derrota e queda de Napoleão na Batalha de Waterloo e acaba com o aparecimento do primeiro movimento artístico do século XX, o Fauvismo.

Na Europa, este período foi um tempo de grande crescimento demográfico e de grandes mudanças (revoluções) que vieram a acabar com o Antigo Regime e instalaram o modo de vida contemporâneo. As mais importantes foram:

  1. o avanço do Liberalismo nos vários países e o seu aperfeiçoamento jurídico;
  2. a evolução da Revolução Industrial que não mudou apenas os modos e as relações de produção e a economia, mas também toda a sociedade (êxodo rural, aparecimento do proletariado, nascimento do movimento operário e dos sindicatos, etc.);
  3. a Revolução dos transportes, iniciada principalmente com o aparecimento e expansão das linhas férreas;
  4. crescimento dos centros urbanos, onde a vida “moderna” se instalou com todas as novidades do tempo (habitação em altura, transportes urbanos, iluminação pública, telefones, parques e jardins, teatros e cafés, etc.), sobretudo no último quartel do século (belle époque);
  5. O grande desenvolvimento do pensamento científico (positivismo, cientismo), consubstanciado em numerosas descobertas e invenções;
  6. A instalação da sociedade de classes e da mentalidade burguesa, laica e individualista.

A Batalha de Waterloo

A Europa depois do Congresso de Viena (1815)

Organizado pelas potências absolutistas da Santa Aliança, este congresso pretendeu

regulamentar a paz na Europa, após a queda de Napoleão em Waterloo.

Nele foi deliberado:

• a imposição dos direitos dinásticos destas monarquias,

• o compromisso de entreajuda na defesa da Monarquia e da Religião contra qualquer tentativa revolucionária

• a criação de um novo mapa para a Europa, partilhando entre elas o antigo império napoleónico

Napoleão, Bonaparte, Retrato, Imperador, Francês
Napoleão Bonaparte

O ano 1815 marca o início de uma nova etapa evolutiva na Europa ocidental, caracterizada pelo estabelecimento das democracias liberais burguesas, pelo desenvolvimento da Revolução Industrial, pela sociedade de classes e pelo avanço do pensamento e da cultura laica que proporcionou um extraordinário progresso técnico e científico.

A Europa das linhas férreas

Foi o crescimento da indústria em época de Revolução Industrial que propiciou a invenção do comboio, em Inglaterra, para transporte de materiais. Este meio de transporte rapidamente evoluiu para o transporte de pessoas .

As linhas férreas revolucionaram o modo de vida: na economia passa a existir uma maior mobilidade de pessoas, na sociedade existe um maior acesso às cidades e as viagens passam a ser um hábito, na vida pública existe uma maior rapidez e mobilidade, essa maior rapidez e mobilidade vai ter também efeitos na cultura e nas mentalidades com o aumento de intercâmbio entre povos e culturas.

O Engenheiro Gustave Eiffel (1832 -1923)

O Engenheiro francês Gustave Eiffel notabilizou-se na construção de estruturas com ferro e com vidro, materiais que na época eram abundantes produzidos em massa pela indústria da época, eram assim materiais bastante baratos. Estes “novos” materiais permitiam métodos inovadores de construção como a introdução de elementos pré fabricados e estandardizados, construção modular, reciclagem de materiais,etc.) que traziam novas soluções aos problemas construtivos e faziam essencialmente poupar tempo e dinheiro. O trabalho de Eiffel foi o de conceber novas estruturas de ferro ou de ferro e vidro, para a construção de viadutos e pontes, de estufas, de pavilhões fabris e de pavilhões para exposições, de gares de caminho de ferro e de comportas (destacam-se as do Canal do Panamá), de torres (como a Torre Eiffel). Com estas inovações na arte de construir, Eiffel e o seu gabinete contribuíram para a divulgação de novos materiais e métodos e promoveram a modernização da construção civil.

Divulgação de novos materiais como o ferro e o vidro

Contributo para a modernização da construção civil

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gustave_Eiffel

A Arquitetura do ferro

Surgiu como sistema construtivo nos finais do século XVIII, o ferro protagonizou em grande parte o desenvolvimento da arquitectura do século XIX e XX. Permitindo grande economia de meios e de tempo, associadas à grande liberdade formal e às quase ilimitadas possibilidades estruturais, a Arquitectura do Ferro encontrou em engenheiros como Gustave Eiffel alguns dos seus maiores projectistas.
As primeiras tentativas e experiências de produção em massa de peças metálicas tiveram lugar na segunda metade do século XVIII. A Inglaterra, um dos países mais industrializados da altura, assumiu um papel pioneiro e determinante neste processo. O ferro, que até então era utilizado na arquitectura ora como elemento decorativo, ora sob a forma de tirantes em tensão, ora como sistema de ligação das cantarias, passa a ser fundido, o que permitiu grande liberdade na execução de peças que funcionassem à compressão.
Em 1775 foi construída em Inglaterra a primeira ponte usando estrutura em ferro. A Pont des Arts em Paris, projeto de De Cessart e Dillon, construída entre 1801 e 1803, a emblemática Ponte de Brooklyn, em Nova Iorque, de John A. Roebling (1869-1883) ou a Ponte de D. Maria Pia (1876), no Porto, de Gustave Eiffel, representam momentos fundamentais na fixação das formidáveis potencialidades deste material.
O desenvolvimento dos meios de transporte, em especial do caminho de ferro, teve como consequência, para além da construção de inúmeras pontes em ferro, a criação de novos equipamentos públicos como as estações de comboios.
Alguns edifícios industriais dos inícios do século XIX empregavam já perfis em T formando vigas que suportavam pequenas abóbadas de tijolo maciço embebidas em betão sobre as quais assentavam os pavimentos. O ferro permitiu reduzir os suportes, criando sistemas porticados em grelha que aumentavam bastante as possibilidades de invenção formal e espacial e que remetiam, de certa forma, para a solução de esqueleto estrutural do estilo gótico. Mais tarde, o ferro foi também aplicado a outros tipos de construção, aparecendo inclusivamente em edifícios religiosos. Um dos exemplos mais significativos deste sistema construtivo é o Pavilhão Real de Brighton, projectado em 1814 por John Nash, em estilo revivalista de referências indianas.
A associação de elementos estandardizados em ferro, constituindo a estrutura portante dos edifícios, com pranchas de vidro em forma de membranas translúcidas, que encontram na estufa a sua raiz construtiva e figurativa, permitiu a construção de grandes organismos, como o Palácio de Cristal de Londres erguido por Joseph Paxton em 1851 ou os pavilhões da Exposição de Paris de 1889, de que se destacou a Galeria das Máquinas de Victor Contamin e de Charles Louis Ferdinand Dutert. O símbolo máximo dessa exposição, a Torre Eiffel, testemunhava e concretizava as conquistas da técnica e o progresso da indústria das nações ocidentais de finais do século XIX.
Gradualmente, à medida que se estabilizavam os conhecimentos técnico-construtivos, a arquitectura do ferro vai encontrando as suas formas específicas de expressão estética. Na segunda metade do século XIX foram construídos imensos edifícios públicos, de carácter monumental, que utilizam estruturas em ferro. Henri Labrouste realizou vários projectos para equipamentos públicos nos quais empregava este sistema construtivo, como as bibliotecas de Ste. Geneviève (1843-50) e a Imperial (1855). Thomas Deane e Benjamin Woodward projetaram entre 1855 e 1860 o Oxford Museum de Londres de clara ascendência estilística gótica.
Apesar da inovação estrutural, a imagem exterior destes edifícios seguiam uma matriz tradicional, assumindo a forma de densas caixas de pedra ecleticamente decoradas. Em 1889, o arquitecto americano William Le Baron Jenney criou o protótipo de arranha-céus de escritórios, o Leiter Building, um dos edifícios pioneiros da arquitectura moderna que teria na Escola de Chicago uma das suas correntes precursoras. Outro dos exemplos míticos desta tipologia arquitectónica é o Empire State Building de Nova Iorque, erguido em 1931.
Tal como se verificou nos Estados Unidos da América, os movimentos vanguardistas europeus adoptaram o aço enquanto símbolo das conquistas técnicas e do progresso cultural e enquanto meio para o desenvolvimento de novas formas e sistemas espaciais. Nos inícios de novecentos, este sistema construtivo marcou profundamente as produções arquitectónicas de movimentos como a Arte Nova (Victor Horta e Berlage), a Secessão Vienense (Otto Wagner) ou o Deutscher Werkbund na Alemanha.

Questão saída em Exame Nacional

Exame 2018 1ª Fase


A revolução dos transportes, levada a cabo principalmente pela expansão das linhas férreas, foi factor importante nas transformações ocorridas influenciando a economia, a sociedade e a cultura.

A Gare

Estação, Trem, Gare Du Nord, Gare, Nord, Paris, Sta
A Gare

A expansão dos caminhos de ferro deu origem à construção de gares, eram locais que serviam de ponto de paragem dos comboios, permitindo abrigar mercadorias e passageiros que estavam em trânsito, instalar equipamentos e funcionários da companhia férrea, etc. Criadas de raiz, essas construções foram geralmente inovadoras em formas, materiais e métodos construtivos, provocando uma enorme admiração e curiosidade.

Pelas funções que desempenhavam, as gares rapidamente se transformaram em centro de confluência das populações e, portanto, em novos pólos do crescimento e desenvolvimento urbanos, tanto demográfico como económico.

File:INCONNU 164 - PARIS - Gare Saint-Lazare.JPG - Wikimedia Commons

Exercícios de revisão

Tendo em conta a imagem acima, justifique a seguinte frase:

“As gares foram os salões da nova era”.

Mencione duas consequências do lançamento das vias férreas em cada um dos seguintes aspectos: urbanismo e sociedade

A 1ª Exposição Universal (Londres, 1851) – Great Exhibition of the Work of Industry of all Nations

No ano de 1851, o príncipe Albert, marido da rainha Vitória de Inglaterra, teve a iniciativa de organizar uma grande exposição internacional onde se mostravam todas as novidades, descobertas e invenções em todas as áreas desde a agricultura, à indústria, às artes e às ciências.

A Exposição teve um tremendo sucesso, quer no nº de visitantes (6 milhões) quer na bilheteira (superior a 86 000 libras). Todo este sucesso demonstra a admiração da época pelas novidades e o culto à ciência e ao progresso que eram presentes naquela época.

Para abrigar tamanha exposição foi construído um pavilhão inovador – o Palácio de Cristal- todo em ferro e vidro, de autoria de Joseph Paxton. A aceitação deste pavilhão veio abrir portas a esta nova arquitectura.

Archivo:Crystal Palace from the northeast from Dickinson's ...
Palácio de Cristal – 1851

Questões de revisão

Identifique e localize no tempo e no espaço o evento que ocorreu no palácio de Cristal representado na figura acima.

O indivíduo e a Natureza

No pensamento e na mentalidade das populações do século XIX, o indivíduo e a Natureza foram valores proclamados. O individualismo estivera presente no pensamento da burguesia desde sempre e nos movimentos e correntes a que ela dera origem.

Nações e utopias; as utopias e as críticas sociais e políticas

Os acontecimentos e as mudanças de vida ocorridos no século XIX levaram à formulação de novos conceitos e teorias político-sociais.

Sobressai o conceito de “nação” como o conjunto de indivíduos unidos pela raça e pela História. Com o liberalismo nasceu “o princípio das nacionalidades“, que atribuía a cada nação o direito à autodeterminação e à auto-governação. Este conceito deu origem a vários movimentos e conflitos. Temos como exemplos: a Unificação da Itália, a Unificação da Alemanha, libertação de povos oprimidos por outras potências com o foi caso dos Gregos, Sérvios, Romenos e Búlgaros em relação ao Império Otomano ou da fragmentação dos Países Baixos (entre Bélgica e Holanda) e dos países Bálticos (Noruega e Suécia).

Este mesmo princípio fez nascer a “consciência nacional” que desenvolveu o nacionalismo e desta forma desenvolver o sentimento afectivo das pessoas pelas suas raízes históricas e pelas suas tradições e produções culturais.

Questões de revisão:

Que razões explicam o aparecimento no século XIX de utopias político-sociais?

Diga o que entende por movimento das nacionalidades e o princípio que lhe deu origem. Exemplifique.

Questões de Exame

Exame Nacional 2011 1ª Fase

Resolução:

Na resposta, devem ser referidos quatro dos elementos seguintes, ou outros considerados relevantes:

•influência dominante do modelo francês;

•ornamento OU escultura decorativa na fachada, que apresenta ornamentos moldurados em madeira entalhada;

•inspiração naturalista e orgânica OU cariz vegetalista dos relevos exteriores; flores, folhagens e caules representados nos azulejos;

•inspiração na figura feminina OU azulejos figurativos ornamentados com duas figuras femininas;

•linha sinuosa, ondulante e curvilínea

Questões de revisão

Mencione duas consequências do lançamento das vias férreas em cada um dos seguintes aspectos: urbanismo e sociedade

Que razões explicam o aparecimento no século XIX de utopias político-sociais?

Diga o que entende por movimento das nacionalidades e o princípio que lhe deu origem?

Exercícios saídos em Exame

Exame Nacional 2019 1ª Fase

Resolução 1.2

A resposta integra três dos tópicos seguintes, ou outros igualmente relevantes:

•criação do Palácio da Pena a partir de uma planta irregular ajustada ao local, ou seja, «a planta acerta-se com o sítio» (Texto A);

•escolha de um local proeminente na Serra de Sintra, o topo de uma escarpa (Figura 1), para a construção do palácio;

•integração do edifício na natureza, valorizando-se a envolvente paisagística (Texto A e Figura 1);

•presença do revivalismo arquitectónico, criando-se um palácio com a forma de um castelo, visível nas muralhas e nas torres (Figura 1);

•presença do ecletismo na mistura de vários estilos históricos, como o neomanuelino, o neogótico e o neomourisco, entre outros (Figura 1);

•influência do exotismo oriental nas cúpulas semiesféricas (Figura 1), nos arcos e nos azulejos.

Exercícios saídos em Exame

Exame 2008 1ª Fase

Caracterize, com base na Figura 3, a relação do artista com a natureza, na pintura romântica

Na pintura romântica, o artista privilegia a natureza da seguinte forma:

• a paisagem é um tema preferencial entre os pintores românticos, porque nela projectavam os seus estados de espírito e a sua visão da existência;

•a natureza torna-se uma fonte de inspiração para os românticos, que a retratavam nas suas várias cambiantes(tempestuosa, dramática, bucólica e pitoresca);

•a representação da natureza constitui um modo privilegiado de os artistas expressarem as emoções, os sentimentos, a sensibilidade, a imaginação, a fantasia, o mistério, o sonho, a subjectividade, a espiritualidade;

•nesta pintura, John Constable recria, de um modo naturalista, ainda que poético, emotivo e sensível, as formas, os elementos e as cores da natureza, com rigor, detalhe e precisão;

•a Catedral de Salisbúria insere-se na temática paisagística e evoca, ao mesmo tempo, o gosto pela Idade Média,característico do espírito romântico.

Exercícios saídos em Exame

Exame 2009 1ª Fase

Na resposta, devem ser explicitadas oito das seguintes vertentes inovadoras, ou outras consideradas relevantes:– Influências presentes no movimento:

• movimento Arts and Crafts, no seu princípio de «unidade das artes» e de renovação das «artes industriais»;

• arte japonesa, no seu desenho gráfico e naturalismo;

• gótico, na expressividade da linha fluída e sinuosa;

• arquitectura do ferro e do vidro, na utilização das novas técnicas e materiais;

• simbolismo, na estilização da forma.– Inovações formais, técnicas e estéticas:

• ruptura com as tradições historicista, académica e revivalista aceites na época;

• formas, estruturas e texturas orgânicas inspiradas na natureza (fauna e flora);

• linha sinuosa, estilizada ou geometrizada;

• integração de novas técnicas e de novos materiais (mosaico, ferro, vidro, betão, madeira), com a exploração das suas qualidades plásticas e expressivas;

• funcionalidade dos espaços interiores, nos quais se articulam os elementos estruturais com as formas decorativas;

• assunção do arquitecto como, simultaneamente, artesão e designer, já que concebe também a decoração de interiores (adereços, mobiliário, equipamentos).

Exercícios saídos em Exame

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